quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Uma livraria no fim do mundo
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Fim-de-semana (2)
Fim-de-semana (1)
sábado, 6 de agosto de 2011
sexta-feira, 1 de julho de 2011
domingo, 26 de junho de 2011
Homem ao mar
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Desert Island Discs
Antes do amanhecer
A brincar com legos às 6h30 da manhã com o D. O resto da casa em silêncio enquanto construímos as ameias de um castelo e os primeiros animais percorrem o relvado das traseiras. Mais tarde, levar a L. para a escola a pé, descendo as escadas de lado, entrando pelas portas de costas, num jogo imposto pela imaginação infantil. Só depois entrar no mundo dos adultos, com autocarro a caminho do trabalho, leitura de jornais e outros adultos. E o castelo provavelmente já em ruínas, no chão da sala.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Comunidade
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Terminei de ler O Amante de Lady Chatterley de D.H. Lawrence com a clara sensação de que me teria sido muito útil durante a adolescência. Tenho a certeza de que teria percebido muito menos e gostado muito mais. Em algumas passagens parece mesmo ter sido escrito por um adolescente, com alguns dos mitos adolescentes sobre o sexo. É um livro moderno em muitas das ideias e clássico nos ambientes. Tenho alguma curiosidade para folhear a edição portuguesa para ver como é que o pobre tradutor se safou com as frases ditas com calão e sotaque de Derbyshire como esta: “Tha’rt good cunt, though, aren’t ter? Best bit o’ cunt left on earth. When ter likes! When th ‘rt willin’!”
domingo, 3 de abril de 2011
Paradise Road

Electric Cinema
quarta-feira, 16 de março de 2011
Make love, not war
No outro dia ouvi alguém assegurar que teria um esgotamento nervoso se outra pessoa, ao iniciar a discussão de um tema, fizesse remontar a descoberta aos gregos. Mas, de facto, lendo Lisistrata, percebemos que há poucas coisas que os gregos não conhecessem já. E não me refiro apenas a que o quadrado da hipotenusa é igual à soma do quadrado dos catetos. Na peça de Aristófanes as mulheres gregas, lideradas por Lisistrata, fazem um juramento colectivo de negarem sexo aos seus maridos até estes concordarem em terminar com a Guerra do Peloponeso. É este o texto integral do juramento:
I will not allow either lover or husband
to approach me in a state of erection.
And I will live at home in unsullied chastity
wearing my saffron gown and my sexiest make-up
to inflame my husband’s ardour.
But I will never willingly yield myself to him.
And should he rape me by force against my will
I will submit passively and will not thrust back
I will not raise my slippers towards the ceiling
I will not adopt the lioness-on-a-cheesegrater position.
If I abide by this oath, may I drink from this cup.
Os benefícios de uma educação clássica tornam-se evidentes quando se tenta perceber a posição lioness-on-a-cheesegrater. A peça está repleta de referências históricas e de trocadilhos de natureza sexual, sendo por vezes incerto se é mais adequada ao D. Maria II ou ao Parque Mayer. Fala da expedição ateniense à Sicília e de vibradores fabricados com pele de cão, do ouro da Acrópole e das duas maçãs de Helena de Tróia. É um texto sobre o poder das mulheres, sem ser necessariamente feminista. Um poder baseado no corpo – enorme, assimétrico e para o qual, felizmente, não existem tratados de desarmamento.
segunda-feira, 7 de março de 2011
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
A mim parece-me que estaria sempre bem no lugar em que não estou, e este problema de mudar-me é uma coisa que não cesso de discutir com a minha alma.
«Diz-me tu, minha alma, pobre alma friorenta, que pensarias tu de viver em Lisboa? Deve lá fazer calor, e podias regalar-te como um lagarto. A cidade ergue-se à beira d’água; dizem que é construída de mármore, e que o povo tem tanto ódio ao vegetal que arranca todas as árvores. Eis uma paisagem a teu gosto; uma paisagem feita de luz e de mineral, com o líquido para os reflectir!»
A minha alma não responde.
Baudelaire, «Any where out of the world», O Spleen de Paris
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
A biblioteca intacta

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Relatório de domingo - Holland Park
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
2 February 1940
The snow remains, slightly pocked, but the road is clear. I forget to make extracts from the papers, which boom, echoing, emptily, the BBC. Hitler’s speech – Churchill’s – a ship sunk – no survivors – a raft capsized – men rowing for ten or twelve or thirty hours. How little one can explode now, as perhaps one would have done, had it been a single death. But the Black Out is far more murderous than the war. Prices rise twopence then threepence. So the screw tightens gradually; and I can’t even imagine London in peace – the lit nights, the buses roaring past Tavistock Square, the telephone ringing, and I scooping together with the utmost difficulty one night or afternoon alone. Only the fire sets me dreaming – [...]
Virginia Woolf, Diarydomingo, 23 de janeiro de 2011
Noite eleitoral
Adenda: O vencedor foi Derek Walcott. Não se conhecem ainda os números da abstenção, nem o discurso de vitória. Os restantes poetas reconheceram a derrota de modo cortês e em pentâmetros iâmbicos.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
LER
Encontrei, por acaso, uma referência a esta outra Ler, uma revista sem recensões literárias, crónicas ou jornalismo cultural, apenas tornozelos, calcanhares, tarsos, metatarsos, meias para diabéticos e calçado ortopédico. O nome é uma abreviatura de Lower Extremity Review, ou seja, é uma publicação periódica sobre pés. Num dos últimos números, Jordana Bieze Foster, uma espécie de Francisco José Viegas da Lower Extremety Review, dedica o editorial aos chinelos de dedo (Flip-flop Flak). O Rogério Casanova pode escrever análises interessantes sobre Pynchon ou Nabokov, mas nada de tão profundo quanto os artigos de Metin Yavuz, PhD sobre pressão plantar.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Liberdade de ensino
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Livro de reclamações
Uma das obras principais de Lord Byron é um longo poema de viagem (Childe Harold’s Pilgrimage), com início em Portugal. Byron entrou num navio para escapar às frustrações da terra natal e desembarcou em Lisboa em 1809. Como legado à posteridade, dedicou vinte stanzas a elogiar a beleza natural de Portugal e a criticar a personalidade e os hábitos de higiene dos portugueses. Diz, na verdade, que é uma pena que tanta beleza seja desperdiçada num povo como o nosso, escravizado pelos invasores franceses e depois pelos salvadores britânicos. Poor, paltry slaves! Yet born ‘midst noblest scenes –
Why, Nature, waste thy wonders on such men?
Um comentador que ouvi há pouco dizia que o culto de Byron - uma verdadeira pop star do século dezanove - espalhou-se um pouco por toda a Europa, com a excepção compreensível de Portugal. Os portugueses, como todos os povos, gostam de dizer mal de si próprios, mas levam a mal que outros se dediquem a essa actividade. Em especial quando nos comparam desfavoravelmente com os espanhóis:
Well doth the Spanish hind the difference know
‘Twix him and Lusian slave, the lowest of the low.
Mais do que um poema, é o livro de reclamações de um turista inglês.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Nada consegue descrever melhor o carácter conservador britânico do que a longevidade das soap operas. The Archers, uma radionovela passada na vila rural imaginária de Ambridge, está no ar desde 1950. Já tem mais de 16 mil episódios e alguns clubes de fãs espalhados pelo país. Parece que existem mesmo referências a episódios da série na correspondência pessoal de Philip Larkin, recentemente publicada em livro. Na televisão, Coronation Street está a fazer cinquenta anos e Eastenders vinte e cinco. É como se a Vila Faia nunca tivesse terminado e o João Godunha continuasse a chorar eternamente a morte da Mariette. Caso queiram saber o que andam a perder, transcrevo a sinopse do episódio de hoje de The Archers:
Kenton is trying to catch up with his last minute Christmas cards when Pat turns up at Lower Loxley to deliver some yoghurts. Elizabeth is in a flap as she hasn’t yet received Lily’s main present: a mobile phone with internet, ordered through the web.
Elizabeth has set up a shot of Kenton as the highwayman surprising some children. It’s a great success and will be featured in the Echo. Next year she hopes to use it in their own publicity.
Tony brings over a replacement present for Helen, a beautiful mobile for the baby. Ian really likes it and encourages Tony to waits and give it her himself. Although Tony would love to, he just leaves it with Ian.
domingo, 19 de dezembro de 2010
To the castle and back
Ontem metemo-nos no carro com destino a Windsor. Percorremos as ruas da vila e fizemos construções de neve junto às muralhas do castelo, onde não chegámos a entrar. No regresso, num anoitecer prematuro, passámos por um carrossel iluminado no meio da neve e por um parque infantil soterrado na planície gelada. As crianças já dormiam no banco de trás quando, a trinta à hora, entrámos na auto-estrada rumo ao centro de Londres. Há notícias de voos cancelados e de quatro europeus do sul, residentes em Holland Park, alegremente perdidos no meio da neve.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Novo Concerto Estratégico
Os Arcade Fire entraram em palco como um grupo de saltimbancos que toma de assalto a praça central de uma vila medieval, com uma troca incessante de instrumentos entre os elementos da banda e alguns sinais exteriores de loucura. O O2 Arena estava totalmente cheio. É um espaço mais ou menos do tamanho da Pavilhão Atlântico, se percebem o que quero dizer. A Cimeira da Nato deve ter sido boa, aprovou-se um novo conceito estratégico, etc., mas não teve um encore de duas músicas com o público todo a cantar. No final do concerto seguímos a multidão até à estação de metro mais próxima com a primeira neve do ano a cair-nos em cima.Falar de dois concertos num espaço de tempo reduzido pode transmitir a ideia enganadora de uma vida social intensa, quando se trata apenas de uma coincidência estatística no meio dos dias domésticos e ritualizados. Escurece cedo e está frio. Os inícios das noites são passados a tentar domesticar o D. e a servir de trampolim à L. Depois, com os dois já na cama, sinto-me cansado e satisfeito como no final de um dia de praia.
Nota sobre o aparente uso do plural majestático: Tanto quanto sei, não existe uma única gota de sangue aristocrático na minha família. Parte dos meus textos são escritos no plural porque incluem de modo implícito a J. Na maioria dos casos, é mesmo ela a principal instigadora das nossas saídas, sempre pronta a tentar-me com bilhetes para concertos e anotações coloridas na agenda cultural.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Live at the Brixton Academy
Fomos ontem à Brixton Academy ver os The National. A sala é um antigo teatro Arte Nova, com a dimensão ideal para concertos. O ambiente é uma mistura de Coliseu e Voz do Operário e como fomos dos primeiros a entrar consegui tirar esta foto de uma natureza morta com guitarras, bateria, baixo e a luz dos projectores. O concerto em si foi muito bom. O vocalista começou com uma pose séria e fato e gravata, mas foi-se transformando progressivamente num Caliban alcoolizado, com gritos, convulsões e longas incursões pelo meio do público. No final, já sem forças, cantou a última música (Vanderlyle Crybaby Geeks) sem microfone entre duas guitarras acústicas. Saímos para a noite gelada com um zumbido nos ouvidos e na manhã seguinte, esta manhã, nevou.
domingo, 28 de novembro de 2010
Previsão de tempo para utopia e arredores*
(*Título emprestado por Charles Simic)
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
sábado, 20 de novembro de 2010
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Fui fazer uma visita à John Sandoe, uma pequena livraria de Chelsea onde há livros espalhados por todo o lado, como no sonho de um bibliófilo: nas escadas que levam ao primeiro andar e nas que descem para a cave, alinhados em estantes ou empilhados em montes instáveis. E apesar de há muito as salas exíguas terem perdido o combate com o fluxo constante de livros, os volumes estão arrumados com uma certa ordem, por funcionários que parecem estar conscientes de que têm o melhor emprego do mundo. É utilizado o sistema inverso do da Ler Devagar, na LX Factory, onde o espaço é vasto, mas os livros encontrados apenas com muita sorte e algumas técnicas de alpinismo. Trouxe da John Sandoe algum Robert Frost, John Burnside e Elizabeth Barrett Browning. Se quiserem passar por lá, fica em 10 Blacklands Terrace.
Hora de Inverno
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
terça-feira, 19 de outubro de 2010
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Primeiro-Ministro (David Cameron): 44 anos
Líder da oposição (Ed Miliband): 41 anos
Ministro das Finanças (George Osborne): 39 anos
terça-feira, 5 de outubro de 2010
domingo, 3 de outubro de 2010
terça-feira, 28 de setembro de 2010
A Câmara de Londres montou um sistema público de bicicletas, muito prático e barato. A promoção foi feita pelo próprio Mayor de Londres, Boris Johnson, o segundo presidente de câmara com mais piada que já tive, depois de Santana Lopes. Encomendei a minha chave de acesso pela internet e, no sábado, quando chegou por correio, fui dar uma volta pelo bairro, acompanhado pela L., veloz ao meu lado pelo passeio na sua trotineta. Lembro-me perfeitamente de ter aprendido a pedalar na bicicleta emprestada do Pedro e incentivado pelos conselhos do Jorge, um vizinho alguns anos mais velho: «-Olha para a frente, não olhes para a roda.» Os londrinos, como quase todos os habitantes do norte da Europa, são grandes adeptos do uso da bicicleta. É frequente ver senhores com pose aristocrática e fato completo a caminho do trabalho montados numa ou mães com sistemas complexos para transportarem bebés. Criado no sul, confesso que estava habituado a encarar as bicicletas como uma primeira etapa rumo a algo maior, mais potente, com mais rodas, jantes de liga leve e estofos de cabedal. Agora, é possível que me vejam de vez em quando a pedalar em direcção ao pôr-do-sol, até desaparecer por entre as multidões que cruzam as ruas de Londres, em todas as direcções, de modo constante, aleatório, coordenado.
domingo, 19 de setembro de 2010
Rescaldo do jogo
Dishes, The Pulp
Stars and Sons, Broken Social Scene
Suburban War, Arcade Fire
Obstacle 1, Interpol
I Dreamed I Dream, Sonic Youth
Night Time, Bauhaus
The Cutter, Echo & the Bunnyman
Subterranean Homesick Alien, Radiohead
Runaway, The National
...
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Quatro Quartetos
The inner freedom from the practical desire,
A white light still and moving,
Distracted from distraction by distraction,
At the still point of the turning world.
O livro não tem assinatura nem dedicatória e por isso é impossível descobrir o leitor que construiu este poema no interior do poema.


