quinta-feira, 29 de abril de 2010
quarta-feira, 28 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
"I'm meant to be going to Lanzarote. We've travelled from Oban, leaving at 3am. Now we've decided we might as well just go home and do a bit of gardening."
domingo, 11 de abril de 2010
Viagem de estudo

quinta-feira, 8 de abril de 2010
15º à sombra
Todas as actividades que durante os meses anteriores eram realizadas entre paredes são trazidas para o espaço público: almoçar, ler, dormir uma sesta, etc. Nunca um alentejano, por exemplo, se lembraria de se sentar num banco na praça central da sua vila, a apanhar banhos de sol, nas horas de maior calor. Geralmente esperam pela «fresquinha». Claro que os britânicos estão fartos de «fresquinha» e começam logo a ocupar as superfícies com mais sol, como caracóis. Depois de bastantes meses aqui, começo a compreendê-los perfeitamente. Se tudo continuar assim, este fim-de-semana sacudo o pó da manta e mudo-me para o relvado na parte de trás da nossa casa.
terça-feira, 30 de março de 2010
You've got mail
Pode ficar a saber-se bastante sobre uma pessoa pelas revistas que assina, as cartas que recebe e o junk mail que lhe é endereçado. Ficamos a saber, por exemplo, que um vizinho aderiu a um ginásio, outro tem familiares na Austrália e um outro se interessa por ornitologia. A situação torna-nos também conscientes da necessidade de nos refrearmos na utilização do Royal Mail. Julgo que ninguém no prédio teria coragem de encomendar o catálogo de uma sex-shop ou de assinar a Penthouse.
Como só chegámos há relativamente pouco tempo, também só aos poucos vamos abandonando as nossas desconfianças. Como já referi antes, aderi a um serviço de dvds por correio. Noutra situação, teria sempre receio de que o filme fosse visto primeiro por todos os vizinhos e só depois colocado novamente na portaria. Mas isso nunca aconteceu. O envelope está sempre lá pousado, intacto à minha espera, embora sempre que pegue nele verifique se não tem uma anotação do género: «Gostei, mesmo não sendo um dos filmes mais interessantes do neo-realismo italiano. É pena ele morrer no final. Atenciosamente, 3.º G.»
quarta-feira, 24 de março de 2010
Hamlet: Ay marry, why was he sent into England?
First clown: Why, because he was mad; he shall recover his wits there; or if he do not, it’s no great matter there.
Hamlet: Why?
First clown: ‘Twill not be seen in him there, there the men are as mad as he.
O facto de ter sido eu próprio a querer vir para Inglaterra apenas prova que os loucos têm momentos de lucidez, nos quais buscam a cura. Talvez volte recuperado ou nunca chegue a recuperar, mas entretanto parece que estou em boa companhia.
sábado, 20 de março de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
É muito conveniente ter o Speaker’s Corner a quinze minutos do local de trabalho. Quando estamos mais aborrecidos podemos ir até lá insultar alguém. Mesmo não estando a
ter um dia muito difícil, decidi ir experimentar na hora de almoço. Mas para lá chegar tive de contornar o Serpentine, o lago que atravessa Hyde Park. Estava um início de tarde muito agradável, com pessoas sentadas na relva e nos bancos, aves aquáticas a tentarem comer o almoço dos turistas e alguns barcos de recreio no meio da água. Quando cheguei ao outro lado estava demasiado bem disposto para querer dizer mal de alguma coisa. Também segui o conselho e não mergulhei da ponte.domingo, 14 de março de 2010
The Garden
Like a skein of loose silk blown against a wall,
She walks by the railing of a path in Kensington Gardens,
And she is dying piece-meal
To a sort of emotional anæmia.
And round about there is a rabble
Of the filthy, sturdy, unkillable infants of the very poor.
They shall inherit the earth.
In her is the end of breeding.
Her boredom is exquisite and excessive.
She would like some one to speak to her,
And is almost afraid that I
Will commit that indiscretion.
segunda-feira, 8 de março de 2010
terça-feira, 2 de março de 2010
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
sábado, 13 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
A ascensão e a queda
This was a stiff assignment: three hundred pages of information, lore, reflection and clinical data written up by a Dutch urologist in a quirky style that veers between flaccid exposition and penetrating analysis.
Aditamento
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Recollections of a wild radish*
*Título da recensão de Miranda France.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
The knights who say «Ni»
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Fui conhecer a Foyles, cinco pisos de livros em Charing Cross, uma das ruas menos bonitas e mais interessantes da cidade. Saí da boca do metro, passei pelas filas de balões vermelhos suspensos do início da Chinatown e, depois, por um sapato de mulher gigante a anunciar o musical Priscilla, a Rainha do Deserto. A livraria fica mais ao fundo da rua. Antes ainda entrei numa Pizza Hut, para os livros não me cairem no estômago vazio. Com tudo isto, tive apenas vinte minutos da hora de almoço para percorrer as estantes do terceiro andar. Andei por lá como um felino entre erva alta, à espera que as gazelas se aproximassem do lago para beber. Ao fim desse tempo, tive de parar de percorrer as lombadas e endireitei o pescoço, já com dois livros debaixo do braço, que comecei logo a digerir numa carruagem de metro.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Por força das circunstâncias, a comunidade dos expatriados está mais predisposta a conhecer pessoas novas. Foi por isso que nos encontrámos, no passado fim-de-semana, sentados à mesa a almoçar e a conversar alegremente com uma portuguesa, um escocês, dois ou três búlgaros, uma austríaca e um inglês («and very proud of it.»), nenhum dos quais conhecíamos anteriormente. A única vaga ligação era uma amiga de uma amiga. Agora, espero, também nossa amiga. As crianças mais velhas subiam e desciam os degraus, saltavam em cima das almofadas e, as mais novas, simplesmente dormiam ou choravam no colo dos pais. Divertimo-nos. A nossa situação actual faz lembrar os tempos da faculdade, quando os estudantes de fora de Lisboa, com a liberdade de não possuirem ligações familiares a que voltar ao fim da noite, se reuniam nos grupos mais estranhos e interessantes. Nós esforçávamo-nos por acompanhar o ritmo e as actividades, mas inevitavelmente tínhamos de correr para apanhar o último comboio. Agora somos nós que vemos o comboio partir, ao longe, e continuamos a conversar.
domingo, 31 de janeiro de 2010
Literatura comparada
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Too hot to trot
Para me abrigar do frio, entrei numa das casas de apostas que existem espalhadas pela cidade de Londres. São sítios curiosos, de paredes forradas com painéis semelhantes aos antigos horários de comboios das estações da CP, nos quais se encontra escrito, num código apenas compreensível para os iniciados, nomes de cães ou cavalos, nomes de pistas e probabilidades de vitória. Noutra parede, em cerca de dez plasmas diferentes, passam imagens de corridas de cavalos, cães, automóveis e jogos de futebol. Pode fazer-se apostas sobre quase tudo, desde a equipa que vai vencer o mundial até, creio, o partido que vai vencer as próximas eleições. Estavam lá apenas outras três pessoas: uma dona-de-casa de meia idade, que entrou e saiu depois de apostar qualquer coisa no balcão, um rapaz interessado em ver um dos jogos de futebol e um homem que acompanhava corridas de galgos e, no final, rasgava invariavelmente os bilhetes das apostas perdidas. Percorri as longas listas, por curiosidade. Numa das pistas, num qualquer lugar distante do país, iam correr lado a lado os cavalos Too Hot to Trot, Baar Med, Fettucini e Dog Violet. Ainda me senti tentado a apostar no primeiro, mas não saberia como e, por isso, enrolei o cachecol e saí para a rua sem saber quem venceu a corrida.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
The lazy sunbather
(Obrigado, Vítor. Estou neste momento a descarregar os 4Gb de música que trouxe de tua casa.)
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
*As traduções entre parêntesis são, obviamente, demasiado literais e erradas.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Abaixo de zero
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Os cinemas independentes são iguais em toda a parte: pequenos, escuros, com cadeiras gastas e decoração antiquada. Enfim, perfeitos. Neste, em vez de pipocas, o público levou para o interior da sala copos de plástico com cerveja e outras bebidas alcoólicas, o que se justifica perfeitamente durante retrospectivas de cinema francês, mas parece desadequado em outras situações. Fui ver A Serious Man dos irmãos Cohen. Gostei do filme e de tudo o resto. A meio, uma pessoa começou a ressonar de forma sonora e, mais tarde, um balão que se tinha mantido no tecto da sala começou a pairar em frente ao ecrã e a interagir com o argumento. No final, apanhei o autocarro 328 com destino a World’s End, mas saí algumas paragens antes e por isso não posso contar-vos como acaba.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
domingo, 22 de novembro de 2009
terça-feira, 17 de novembro de 2009
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
(Dito isto, diverte-me bastante observar o espírito independente dos britânicos.)
Virginia Woolf, Os Anos
domingo, 15 de novembro de 2009
93.5 FM
sábado, 14 de novembro de 2009
domingo, 8 de novembro de 2009
A nice Guy
Nos últimos dias, temos comprovado que a tradição se mantém. Os estrondos e as luzes vão-se sucedendo, de forma descentralizada e interminente, por várias zonas de Londres. Pode comprar-se fogo-de-artifício no supermercado local. No nosso, o equivalente ao Pingo Doce, está na prateleira a seguir à do pão, o que não deixa de ser conveniente. Pode levar-se uma baguete para ir comendo enquanto se lança o engenho num dos parques, numa destas noites gélidas de início de Novembro. Há pouco vimos da janela da nossa casa mais um foguete a ser lançado do meio do campo de jogos de Holland Park. As luzes iluminaram por segundos os plátanos já quase sem folhas e depois fez-se noite outra vez.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Nursery rhymes
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
domingo, 18 de outubro de 2009
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
E começo-te a contar uma história verdadeira que fala dum homem que entrou numa biblioteca para ler um livro banal e só de lá saiu cinco anos mais tarde depois de ter lido todos os livros. A sua cama era um rectângulo de 1,85 por 1,25 formado pelos seguintes livros: Werther de Goethe, o manuscrito original em papel de bíblia das Confissões de Rousseau, um ensaio de um filósofo persa sobre as trovoadas, uma tradução chinesa dos Lusíadas, um livro de culinária duma cortesã romana sobre as mil e uma maneiras de preparar arroz, Madame Bovary (dormia com ela todas as noites) de Flaubert e Uns Subsídios para uma Monografia sobre o Cair da Chuva, de um célebre navegador espanhol do século XVI, serviam-lhe de cabeceira. Comia na própria biblioteca e aí fazia as necessidades por detrás duma prateleira onde estavam guardados os clássicos franceses.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Adaptador
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
De um ponto de vista técnico, o Tamisa é perfeito para tentativas de suicídio: tem muitas pontes, com muros baixos, águas escuras e uma cidade que, quando chove, é ligeiramente deprimente. (Deve ser raro alguém tentar suicidar-se no Tejo, que é demasiado largo, ou no Sena, que é demasiado bonito.) Por outro lado, o Tamisa teve barqueiros, durante séculos, e agora tem provavelmente uma polícia fluvial, com lanchas rápidas e polícias com coletes-de-salvação montados em potentes motas de água. Quem se atira – não que eu esteja a pensar fazê-lo, mesmo que chova três meses sem parar – sabe que tem boas probabilidades de sobrevivência e, de uma forma geral, preferirá não molhar o fato ou o vestido, que tanto trabalho dão a secar neste país. É, no fundo, o Eros e Thanatos de Freud aplicado ao Tamisa, com homens e mulheres à chuva, num equilíbrio precário entre as forças do amor e da extinção.

